Iraque, 03 de Março de 2008
Bispo raptado no Iraque

Foi raptado nesta sexta-feira o Bispo caldeu de Mossul, no Iraque, Dom Faraj Rahho. Três pessoas que com ele seguiam num automóvel foram assassinadas. Dois responsáveis da Igreja Católica no Iraque confirmaram esta segunda-feira que o Arcebispo Faraj Rahho continua nas mãos das pessoas que o seqüestraram à saída da igreja do Espírito Santo, em Mossul (Norte do país).

“Os raptores telefonaram por várias vezes pedindo um resgate. Há coisas que não podem ser divulgadas para não colocar em perigo a vida do refém”, disseram à agência italiana SIR o Bispo Shlemon Warduni, de Bagdad, e o Bispo Louis Sako, de Kirkuk. Ambos se mostraram muito marcados pela trágica morte dos três jovens que seguiam no automóvel de Dom Rahho e que foram assassinados pelos seqüestradores.

Quanto ao resgate pedido, Dom Warduni diz tratar-se de uma quantia astronômica, revelando ainda que não foi possível falar com o Bispo raptado. “A situação é muito delicada”, afirma.

Ontem, Bento XVI lançou um apelo pela a libertação do Arcebispo caldeu de Mossul. O mesmo apelo foi deixado pela presidência da UE e por grupos religiosos muçulmanos, que manifestaram a sua solidariedade aos cristãos.

“Com profunda tristeza sigo a dramática situação do rapto de Dom Paulos Faraj Rahho Arcebispo de Mossul dos Caldeus, no Iraque. Uno-me ao apelo do Patriarca, o Cardeal Emmanuel III Delly, e dos seus colaboradores, para que o querido prelado, aliás em condições de saúde precárias, seja rapidamente libertado... Ao mesmo tempo elevo a minha oração de sufrágio pelas almas dos três jovens mortos que no momento do rapto se encontravam com ele. Além disso manifesto a minha proximidade à Igreja inteira no Iraque e em particular à Igreja caldeia, mais uma vez duramente atingida, enquanto encorajo os Pastores e todos os fiéis a serem fortes e sólidos na esperança”, afirmou o Papa.

Bento XVI deixou votos para que se multipliquem os esforços de todos aqueles que têm responsabilidades na condução do povo iraquiano, para que graças ao empenho e sabedoria de todos, encontre de novo paz e segurança e não lhe seja negado o futuro a que tem direito.

Logo no dia do rapto, o Papa mostrava-se triste depois deste ato execrável que atinge toda a Igreja no país e em particular a Igreja caldeia, manifestando a sua proximidade a toda a comunidade cristã, bem como às famílias das vítimas.

Em Junho de 2007, um padre e três diáconos foram assassinados em Mossul. Na mesma cidade, em Janeiro de 2005, foi seqüestrado o arcebispo da comunidade siro-católica, Dom Basile Georges Casmoussa.

Os cristãos são alvo dos sunitas e dos xiitas, vítimas de atentados, de seqüestros, de pressão para que abandonem os seus lares e da cobrança ilegal do tradicional imposto que os governantes muçulmanos arrecadavam dos seus súbditos não-muçulmanos.

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