Brasil, 02 de Abril de 2008
Aprovação do Aborto continua a diminuir no Brasil
O DataFolha acaba de revelar uma nova pesquisa de opinião pública que confirma que a aprovação ao aborto no Brasil está diminuindo de ano para ano. Desta vez a reportagem foi publicada em destaque na primeira página da edição de domingo do jornal Folha de São
Paulo.
A pergunta dos pesquisadores, feita a uma amostra de 4.044 brasileiros em 159 municípios, foi se o entrevistado pensa que o aborto deve continuar sendo crime no país.
Em 2006 63% dos brasileiros responderam sim, em 2007 o percentual subiu para 65% e agora em 2008 o número dos que responderam afirmativamente subiu novamente para 68%. Sete em cada dez brasileiros, segundo a reportagem da Folha de São Paulo, querem que o aborto continue sendo crime e, aparentemente, este número continua em crescimento.
Quando a pergunta é feita com outras palavras, a porcentagem obtida é ainda mais elevada.
Em 2003 o IBOPE realizou uma pesquisa nacional de opinião pública a pedido das Católicas pelo Direito de Decidir, onde a pergunta era se na opinião dos entrevistados o aborto deveria ser permitido sempre que a mulher decidisse. Somente 10% foram a
favor.
A pesquisa foi repetida em 2005 pelo mesmo IBOPE encontrando desta vez apenas um público de 3% do público respondendo afirmativamente.
Em 2007 uma nova pesquisa nacional sobre o aborto foi encomendada ao IBOPE pelas Católicas pelo Direito de Decidir, mas desta vez a íntegra da pesquisa não chegou a ser divulgada. A organização auto denominada Católicas pelo Direito de Decidir, que na verdade não é católica mas pesadamente financiada por fundações norte americanas como a Fundação Ford, a Fundação MacArthur e pelas organizações Rockefeller para promover o aborto e a dissidência dentro da Igreja, alegaram que não havia interesse em saber o que pensava o público sobre o aborto em si e que a pesquisa havia se centrado na questão se o público sabia localizar os hospitais credenciados para praticar um aborto em caso de estupro.
Campanha
O aumento da taxa dos que são contrários a flexibilizar a lei de aborto pode ter alguma relação com a campanha que a Igreja Católica move contra esse tipo de prática no Brasil. A campanha mais contundente foi feita pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Lá, no último mês, padres levaram às missas reproduções de fetos.
Foram produzidos 600 bonecos imitando fetos com três meses de gestação. Eles foram usados em procissões e nas 264 igrejas da cidade. Os bonecos de fetos fazem parte da campanha da fraternidade de 2008 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), cujo lema é "Escolhe, pois é vida".
Em São Paulo, as manifestações da Igreja Católica tiveram um tom menos contundente: foi realizado um ato público contra o aborto na praça da Sé. O alvo da CNBB é um projeto de lei que descriminaliza o aborto. Ele está parado há 16 anos na Câmara dos Deputados e havia a previsão de que poderia entrar na pauta neste mês.
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